Arquiteta e urbanista de Pernambuco defende que a sustentabilidade começa no planejamento e que integrar soluções energéticas desde o projeto evita custos, valoriza imóveis e prepara as edificações para as novas demandas da construção civil.
A busca por imóveis mais eficientes, econômicos e preparados para o futuro tem feito com que a arquitetura sustentável deixe de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma necessidade. Para a arquiteta e urbanista Andreane Muniz Marques, profissional com ampla experiência em planejamento, gestão e acompanhamento de obras, a integração entre arquitetura e energia solar representa um dos caminhos mais importantes para a evolução da construção civil brasileira.
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela ESUDA, com especializações em Gestão de Projetos e Obras, Orçamentos e Perícias, além da certificação no Método BORA, Andreane atua atualmente como coordenadora técnica do Alphaville Pernambuco, onde desenvolve atividades ligadas à análise e compatibilização de projetos, fiscalização e integração de obras. Paralelamente, também realiza projetos e consultorias por meio da AM Marques Arquitetura e, recentemente, aprofundou seus estudos sobre a integração entre arquitetura e energia solar em conversas com Daniel Vieira, diretor da D&K Instalações Elétricas e Energia Solar, e sua equipe técnica, reflexões que deram origem ao tema abordado nesta matéria.
Segundo a especialista, um dos principais equívocos ainda presentes no mercado é tratar a energia solar como uma solução a ser pensada apenas depois da conclusão da obra. Para ela, quando a geração de energia é incorporada ainda na fase de planejamento, torna-se possível prever infraestrutura, espaços técnicos, futuras ampliações e soluções que permitam uma integração mais harmoniosa entre tecnologia e arquitetura, evitando adaptações posteriores e custos desnecessários.
A arquiteta explica que o raciocínio é semelhante ao utilizado em sistemas de climatização. Quando a localização dos equipamentos é definida previamente, é possível planejar tubulações, instalações elétricas e espaços adequados, reduzindo interferências futuras. O mesmo ocorre com os sistemas fotovoltaicos, que podem ser incorporados ao projeto arquitetônico de forma mais eficiente e funcional, especialmente em empreendimentos residenciais e comerciais.
Além da redução de gastos com adaptações, Andreane destaca que a economia gerada na conta de energia é apenas um dos benefícios proporcionados pela tecnologia. Dependendo das características do sistema e do perfil de consumo, a redução nas despesas pode chegar a 95%. Somado a isso, imóveis preparados para soluções de eficiência energética tendem a ser percebidos pelo mercado como mais modernos, valorizados e preparados para acompanhar as novas tecnologias, podendo apresentar um aumento significativo no valor de mercado.
Outro aspecto importante apontado pela arquiteta é o papel do projeto arquitetônico na maximização do desempenho dos painéis solares. Fatores como orientação da edificação, inclinação da cobertura, áreas disponíveis para instalação e possíveis sombreamentos podem influenciar diretamente a eficiência do sistema ao longo dos anos. A análise dessas variáveis ainda na fase de projeto permite alcançar melhores resultados e reduzir problemas futuros relacionados à manutenção ou interferências construtivas.
Andreane também observa que a arquitetura sustentável vai além da incorporação de novas tecnologias. Elementos tradicionais, como ventilação cruzada, conforto térmico e aproveitamento da iluminação natural, sempre fizeram parte da boa arquitetura e voltam a ganhar protagonismo em um cenário que exige maior eficiência energética e uso racional dos recursos naturais.
Nas conversas que vem mantendo com Daniel Vieira e a equipe técnica da D&K Instalações Elétricas e Energia Solar, além dos estudos que acompanha sobre o setor, a profissional destaca o avanço dos sistemas híbridos e das soluções com baterias, que ampliam a funcionalidade da energia solar e podem proporcionar maior autonomia energética em determinadas situações. Para ela, esse movimento demonstra que a tecnologia já não está limitada apenas à redução da conta de luz, mas passa a fazer parte da estratégia de funcionamento das edificações.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) mostram o crescimento contínuo da participação da energia solar na matriz elétrica nacional, reforçando que a sustentabilidade já faz parte da realidade do setor da construção. Na avaliação de Andreane, o futuro da arquitetura brasileira passa pelo equilíbrio entre conforto, eficiência, tecnologia e viabilidade econômica.
“Hoje, mais do que pensar em soluções isoladas, precisamos entender a edificação como um conjunto integrado. Quando arquitetura, projetos complementares e empresas especializadas em energia solar trabalham em sintonia desde o início, conseguimos entregar espaços mais funcionais, preparados para o futuro e alinhados às necessidades de uma sociedade que busca cada vez mais eficiência e sustentabilidade”, conclui.


